Notícia publicada em 30/07/2026
por Nízea Coelho

Evento reuniu mais de 200 participantes de quatro estados brasileiros, promoveu debates de alto nível sobre prevenção e resposta a desastres e fortaleceu a integração entre Defesas Civis, instituições públicas, universidades e iniciativa privada.
Em um cenário de eventos climáticos cada vez mais extremos e desastres mais complexos, compartilhar conhecimento deixou de ser uma escolha: tornou-se uma estratégia para proteger vidas. Foi exatamente esse compromisso que reuniu, entre os dias 22 e 24 de julho, mais de 200 profissionais de quatro estados brasileiros em Ouro Preto, durante a sexta edição do Seminário Integrado de Defesa Civil.
Quem trabalha com proteção e defesa civil sabe que nenhuma emergência começa no momento em que a sirene toca. Ela começa muito antes: no monitoramento das encostas, na leitura correta de uma previsão meteorológica, na elaboração de um plano de contingência, na integração entre instituições e, principalmente, na preparação das pessoas que estarão na linha de frente quando cada minuto fizer diferença.
É por isso que o Seminário Integrado de Defesa Civil de Ouro Preto continua crescendo. Chegar à sexta edição não representa apenas a continuidade de um evento. Representa a consolidação de um projeto que, ano após ano, vem fortalecendo uma rede de profissionais que entendem que conhecimento compartilhado também é uma forma de salvar vidas.
Realizado pela Prefeitura de Ouro Preto, com gestão e produção da Agência de Desenvolvimento Econômico e Social de Ouro Preto (ADOP), o encontro trouxe números expressivos: 226 participantes presentes ao longo dos três dias, 38 municípios de quatro estados (Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul), mas esses dados contam parte da história. O que realmente diferencia o Seminário é a qualidade das conexões que ele promove. Além da presença de diversas Defesas Civis das cidades mineiras, participaram muitos representantes das instituições do Estado de Minas Gerais, como a Defesa Civil, a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros Militar e a Polícia Civil, além do CEMADEN, do CREA-MG, do IFMG, da UFOP, do IEF, do GRAD e do SAMU.
Durante três dias, profissionais que estiveram à frente de algumas das maiores operações de resposta a desastres do Brasil dividiram experiências que dificilmente poderiam ser aprendidas apenas em livros ou cursos. Foram relatos de quem enfrentou rompimentos de barragens, enchentes históricas, grandes operações de evacuação e crises complexas, transformando vivências em conhecimento prático para centenas de gestores públicos e agentes de Defesa Civil.
Um espaço onde diferentes saberes se encontram
Meteorologistas, engenheiros, geólogos, militares, pesquisadores, gestores públicos, representantes da iniciativa privada e organizações da sociedade civil dividiram o mesmo palco para discutir um princípio simples: ninguém faz Defesa Civil sozinho.
A meteorologista Josélia Pegorim, da Climatempo, lembrou que a tecnologia, por si só, não reduz riscos. “Não adianta termos cada vez mais técnica e instrumentos sofisticados se a informação não chega à população. A parceria entre meteorologistas e Defesa Civil é o nosso grande trunfo para proteger vidas, preservar o patrimônio e evitar perdas." A frase resume uma das principais mensagens deixadas pelo Seminário: a prevenção só acontece quando ciência, comunicação e gestão caminham juntas.
Essa integração também foi destacada pelo coronel da reserva da Polícia Militar de Minas Gerais Flávio Godinho, que enxergou o município capaz de inspirar outras cidades brasileiras. "Ouro Preto está dando um exemplo não apenas para Minas Gerais, mas para o Brasil, reunindo pessoas que pensam fora da caixa, soluções para a preservação da vida, aliando liderança, conhecimento e tecnologia."
O conhecimento que ultrapassa os limites do município
Talvez o maior indicador do sucesso do Seminário não esteja apenas na quantidade de participantes, mas naquilo que eles levam consigo ao retornar para suas cidades. O coordenador e chefe do Departamento de Proteção e Defesa Civil de Congonhas, Wagner Cordeiro Matozinhos, afirmou que: “Foram dias de muito aprendizado e troca de experiências. Esperamos levar essa experiência para realizar um seminário como esse em nosso município”.
Já Samuel Lara, secretário municipal de Meio Ambiente e Defesa Civil de Conceição do Pará, participante de várias edições, resume aquilo que talvez explique a longevidade do projeto. "É um seminário muito técnico, que produz conhecimento e provoca reflexões importantes sobre gestão de riscos. A cada edição saímos daqui com novos aprendizados. Ouro Preto exerce um protagonismo fundamental no fortalecimento das Defesas Civis municipais.”
É justamente esse efeito multiplicador que faz do Seminário muito mais do que um encontro técnico. Cada profissional capacitado retorna ao seu município levando novos conhecimentos, novas ferramentas e novas estratégias que passam a fortalecer diretamente a capacidade local de prevenir desastres, responder a emergências e proteger a população.
Um compromisso permanente com a prevenção
Para o prefeito Angelo Oswaldo, o fortalecimento da Defesa Civil passa necessariamente pela construção coletiva do conhecimento. "Este seminário ilumina caminhos para o aperfeiçoamento de estratégias que, diante das mudanças climáticas e da multiplicação dos desastres, contribuem para a salvaguarda da vida."
A iniciativa do Seminário é da Secretaria Municipal de Segurança e Trânsito e da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil. O secretário da pasta, Moisés dos Santos, destacou que a programação cumpriu exatamente esse propósito. “Foram três dias de intensa troca de experiências e conhecimentos, com debates fundamentais para compreendermos os desafios atuais da gestão de riscos e fortalecermos a atuação das Defesas Civis.”
Neri Moutinho, gerente da Defesa Civil de Ouro Preto, destacou que o Seminário é uma ação que conecta diferentes atores com experiências, ideias e um objetivo em comum: prevenir e preservar a vida das pessoas. “Nossa intenção ao realizar o Seminário é dar aos profissionais mais ferramentas para que eles possam agir de forma mais assertiva nas situações de desastres de suas cidades e conseguir planejar, estruturar ações de prevenção mais eficazes.”
No último dia do Seminário, foi realizada uma homenagem, com entrega de uma placa e um certificado para 48 pessoas e empresas em reconhecimento às suas contribuições para a comunidade e, além da programação técnica, visitas à Mina Central e ao Palácio D’ Ouro aproximaram os participantes da história, da geologia e das características que tornam Ouro Preto um território singular quando o assunto é gestão de riscos.
Ao final da sexta edição, ficou uma constatação compartilhada por palestrantes, participantes e organizadores: diante de um cenário em que os eventos extremos se tornam mais frequentes e complexos, investir em conhecimento, cooperação e preparação não é apenas uma boa prática. É uma necessidade.
E talvez seja justamente por isso que o Seminário Integrado de Defesa Civil de Ouro Preto continua crescendo. Porque seus resultados não terminam quando as luzes do auditório se apagam. Eles seguem viagem dentro de cada profissional que volta para casa mais preparado para tomar decisões que, um dia, poderão fazer toda a diferença entre o desastre e a preservação da vida.
Texto: Nathália Souza | NS Comunicação
Revisão: Victor Stutz


