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Ouro Preto se prepara para a tradicional confecção de tapetes da Semana Santa

Notícia publicada em 01/04/2026
por Nízea Coelho


Imagem: Patrick Araújo

O município de Ouro Preto se prepara para receber, neste sábado (04), a tradicional confecção de tapetes devocionais, um dos momentos mais simbólicos da Semana Santa. A atividade reúne fiéis, moradores e visitantes na noite do Sábado de Aleluia e na madrugada do Domingo de Páscoa, ao longo do trajeto por onde passa a Procissão da Ressurreição, transformando as ruas da cidade em um cenário de fé, arte e tradição.

Os tapetes são confeccionados com serragem crua e colorida, além de materiais como farinha de trigo, pó de café, flores, ciprestes e cal. Neste ano, a preparação conta com serragem proveniente de diferentes municípios, como Catas Altas da Noruega, Ponte Nova, Ubá e da própria Ouro Preto. O prefeito Angelo Oswaldo destaca a mobilização para a realização da atividade: “São mais de 15 toneladas de serragem colorida disponibilizadas para a população e para os turistas que participam da confecção desse enfeite do Domingo de Páscoa, uma tradição consolidada da Semana Santa em Ouro Preto.”

A tradição dos tapetes devocionais remonta ao século XVIII, por volta de 1733, associada ao Triunfo Eucarístico, celebração em homenagem ao Santíssimo Sacramento, conduzido em procissão pelas ruas da cidade. Ao longo dos anos, o costume foi incorporado à identidade cultural de Ouro Preto e permanece como uma das expressões mais marcantes da religiosidade e do patrimônio imaterial do município.

O padre José Carlos dos Santos, da Paróquia Nossa Senhora do Pilar, ressalta o significado coletivo e espiritual da tradição: “Na madrugada, o silêncio da cidade histórica é interrompido pelo som das vassouras e pelas vozes de quem trabalha na confecção dos tapetes. São quilômetros de serragem colorida que transformam as ladeiras em uma verdadeira galeria de arte a céu aberto. Trata-se de um trabalho coletivo, marcado pela fé, pela dedicação e pelo desapego, já que os tapetes são desfeitos pela passagem da procissão. É justamente nessa entrega que reside a beleza da tradição.”

Segundo o pároco, a preparação começa semanas antes, com o tingimento da serragem e a organização dos materiais. Na noite do Sábado de Aleluia, famílias, grupos de amigos e turistas se reúnem para criar desenhos que representam símbolos religiosos, como cálices, cordeiros, pombas da paz, além de elementos ornamentais e geométricos.

Para os moradores, o momento também carrega forte valor afetivo e de pertencimento. A moradora Aline Monteiro relembra a ligação familiar com a tradição: “Minha família sempre teve uma relação próxima com a Paróquia do Pilar. Minhas tias-avós tingiam serragem e passavam as noites do Sábado Santo confeccionando os tapetes na Rua São José. Quando criança, participei das procissões, como muitas crianças ouro-pretanas, vestida de anjo. Fazer tapetes é manter viva essa tradição. É uma noite de encontro, criatividade e devoção. Apesar de ser uma arte efêmera, que desaparece na manhã seguinte, a emoção de participar permanece.”

Ao amanhecer do Domingo de Páscoa, os tapetes estão prontos para a passagem da Procissão da Ressurreição, que percorre o trajeto entre importantes igrejas da cidade, como a Paróquia Nossa Senhora do Pilar e a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, no bairro Antônio Dias.

Mais do que um espetáculo visual, a confecção dos tapetes devocionais reafirma a força da fé, da cultura e da tradição em Ouro Preto, conectando gerações e preservando um dos mais importantes patrimônios imateriais do município.

 

Música durante a montagem dos tapetes

Durante a montagem dos tapetes, os fiéis contarão com uma programação de serestas para entoar este momento símbolico. Confira: 

Dia: 04/04/2026 Sábado
Saída: Santuário de Nossa Senhora da Conceição - Antônio Dias
Horários:

- 20:00 - Saída cortejo Tuca Costa;
- 21:00 - Saída cortejo Barroco Jazz Band;
- 22:00 - Saída cortejo Radiante Jazz.

Os cortejos passarão pelo percurso dos tapetes e terminarão na Basílica de Nossa Senhora do Pilar.

 

Texto: Laira Ferreira

Revisão: Victor Stutz

 


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