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Museu da Inconfidência recebe novas obras e amplia narrativas históricas

Notícia publicada em 20/01/2026
por Nízea Coelho


Cálices litúrgicos integram as seis novas peças do acervo do Museu
Imagem: Peterson Bruschi

O Museu da Inconfidência recebeu, no último sábado (17), a exposição “Movimento de Aquisição de Obras para Museus Brasileiros”, iniciativa que marca a incorporação de seis novas obras ao acervo da instituição e reforça o compromisso com a preservação do patrimônio cultural e a ampliação das narrativas históricas no país.

A mostra reúne um par de lanternas de procissão em prata, dois cálices litúrgicos, sendo um em vermeil (prata com cobertura de ouro), e duas obras da artista Silvana Mendes, peças que passam a integrar permanentemente o acervo do museu.

Durante a solenidade, o prefeito Angelo Oswaldo destacou a importância da aquisição para o fortalecimento institucional do Museu da Inconfidência. Segundo o prefeito, a incorporação das novas obras contribui para que o museu estabeleça “uma nova forma de comunicação com o público e uma articulação mais ampla de seu acervo”, ampliando o diálogo entre história, arte e sociedade.

O curador da exposição, Paulo Herkenhoff, crítico e historiador de arte e referência nacional na formação de coleções públicas, ressaltou que a aquisição das obras representa um avanço na revisão crítica das narrativas sobre a escravidão e a ancestralidade presentes nos museus brasileiros. De acordo com o curador, o novo conjunto contribui para uma mudança de perspectiva no discurso histórico, incorporando reflexões contemporâneas sobre identidade, memória e cultura.

Também participaram do evento o diretor do Museu da Inconfidência, Alex Calheiros, e a presidenta do IPAC, Daiana Castilho, além de representantes do setor cultural e da comunidade.

Sobre as obras

As obras da artista Silvana Mendes propõem uma ressignificação da presença negra na história brasileira, ao evidenciar a valorização da mulher negra e romper com estereótipos que associam a população negra exclusivamente a narrativas de sofrimento. As obras contribuem para a construção de novos significados simbólicos e para o fortalecimento da ancestralidade como eixo central da memória histórica.

As lanternas de procissão, confeccionadas em prata, representam elementos simbólicos de luz e espiritualidade.

Os cálices litúrgicos, especialmente o exemplar em vermeil, estabelecem um diálogo direto com a história de Ouro Preto, evocando o simbolismo do “ouro negro” e sua relação com a formação cultural e histórica da cidade.

Programa nacional de aquisição de obras

O projeto “Movimento de Aquisição de Obras para Museus Brasileiros” tem como objetivo o fortalecimento do patrimônio cultural nacional, com foco na salvaguarda da memória e na ampliação das narrativas históricas dentro das instituições museológicas públicas.

A iniciativa teve início na Bahia, com a aquisição de uma imagem de Nossa Senhora do Presépio, datada do século XVII, para o Museu Palácio da Sé, em Salvador. Em seguida, passou pelo Rio de Janeiro, com a valorização do barroco do Mestre José Joaquim, chegando agora a Ouro Preto.

Segundo a presidenta do IPAC, Daiana Castilho, o programa é constituído por quatro etapas e prevê, ao longo de 2026, a chegada de novas obras à cidade. As futuras aquisições irão dialogar com o barroco e a arte contemporânea brasileira, contribuindo para o redimensionamento dos processos históricos e artísticos do Brasil e fortalecendo Ouro Preto como referência nacional na preservação do patrimônio cultural.

Texto: Laira Ferreira

Revisão: Victor Stutz

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