secretaria municipal de cultura e turismo

Cultura, hospitalidade e território: Santo Antônio do Leite fortalece caminhos para um turismo de base comunitária



Festa da Primavera integra movimento comunitário que articula cultura, gastronomia, economia criativa, serviços e hospitalidade, convidando visitantes a conhecer o distrito de Ouro Preto a partir de quem vive, produz e empreende no território.

Notícia publicada em 08/10/2026
por Patrick Silva


Há lugares que se visitam. E há lugares que pedem tempo para serem conhecidos.


Em Santo Antônio do Leite, distrito de Ouro Preto (MG), moradores, produtores, artistas e empreendedores vêm fortalecendo uma maneira de pensar o turismo que começa dentro da própria comunidade: na cultura que permanece viva, nos saberes compartilhados, na gastronomia, no artesanato, nas paisagens, nos serviços e nas relações de hospitalidade construídas por quem escolheu viver e trabalhar ali. Nos dias 10 e 11 de outubro de 2026, a Festa da Primavera se integra a esse movimento ao ocupar o Coreto da Chapada e seu entorno com uma programação gratuita de música, oficinas, gastronomia, Feira de Economia Criativa, Cozinha ao Vivo, Rua de Lazer e experiências que aproximam moradores e visitantes. Mais do que atrair público para um evento, a proposta é fazer da cultura uma porta de entrada para o território.


Um distrito que já recebe e quer ser conhecido por inteiro


Santo Antônio do Leite já possui uma vocação turística reconhecida. A Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Ouro Preto destaca o distrito pelo bem-estar, ecoturismo, produção artesanal de joias em prata e pela presença de pousadas, hotéis-fazenda e sítios. O Plano Diretor de Ouro Preto insere Santo Antônio do Leite no Polo da Bacia do Maracujá, relacionando o território à expansão hoteleira, patrimônio cultural, gastronomia, ecoturismo, joias em prata e artesanato. O documento faz referência particular à Chapada, onde se concentra parte da oferta de pousadas e ateliês — justamente o território que recebe a programação principal da Festa da Primavera. Essa estrutura ajuda a explicar por que a discussão local não precisa começar pela pergunta sobre como “criar” um destino turístico. O desafio é outro: como conectar melhor aquilo que Santo Antônio do Leite já possui e fazer com que a presença de visitantes também fortaleça quem vive e produz no distrito? “Santo Antônio do Leite já recebe visitantes, já possui pousadas, gastronomia, artesanato, serviços e uma história de hospitalidade. O movimento agora é fortalecer as conexões entre essas vocações. Quando a cultura cria motivos para chegar e permanecer, queremos que essa presença alcance quem mora aqui: quem hospeda, cozinha, produz, presta serviços, faz arte e mantém o território vivo. É essa relação que nos interessa quando falamos em turismo de base comunitária.” — Fina Nicolai, responsável pela comunicação e integrante da organização.

Não basta visitar. É preciso conhecer quem faz o lugar.

 

Festa da Primavera - Santo Antônio do Leite - Ouro Preto

 

Essa ideia orienta uma das iniciativas lançadas a partir da escuta atenta a demanda turística: o Guia de Serviços e Produtos de Santo Antônio do Leite. O catálogo aproxima quem chega das possibilidades existentes no próprio distrito e ajuda a tornar visíveis empreendedores, produtos e serviços locais. A lógica é simples: quem vem para participar da festa, por exemplo, também pode descobrir onde se hospedar, experimentar a gastronomia, conhecer um ateliê, comprar de um produtor, contratar um serviço ou encontrar um motivo para permanecer mais tempo — e voltar. Acesse o Guia e descubra Santo Antônio do Leite. Venha com calma.

Guia: https://bit.ly/conheçaoleite01


Cultura como motivo para chegar — e permanecer


A Festa da Primavera ajuda a tornar essa relação visível. A programação reúne manifestações culturais do próprio território e de outras localidades brasileiras e latino-americanas; a Feira de Economia Criativa apresenta quem cria e produz; a Praça de Alimentação coloca a gastronomia no centro da experiência; e oficinas convidam o visitante a se relacionar com memória, natureza e território. Essa conexão entre cultura e turismo não é nova na história da própria Festa. Criada no final da década de 1980 por moradores e artesãos, a Festa da Primavera nasceu associada à celebração da estação e a uma mobilização para o reflorestamento da Chapada. Décadas depois, continua reunindo cultura, natureza, artesanato e convivência comunitária.

Ao mesmo tempo, Santo Antônio do Leite possui uma rede de hospitalidade já estabelecida. A relação oficial da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo inclui diferentes pousadas e meios de hospedagem no distrito, confirmando que receber visitantes já faz parte de sua dinâmica econômica. O objetivo, portanto, não é transformar a comunidade em cenário turístico, mas ampliar as conexões entre quem chega e quem sustenta a vida econômica, cultural e social do lugar. Turismo que também olha para dentro pensar o turismo a partir da comunidade significa também reconhecer limites e responsabilidades. O diagnóstico do Plano Diretor de Ouro Preto aponta, ao lado das potencialidades dos distritos, desafios relacionados à infraestrutura, acessibilidade, preservação e valorização do patrimônio e à necessidade de diversificar as atividades turísticas para além do Centro Histórico.

Por isso, crescer não precisa significar simplesmente receber cada vez mais pessoas. Pode significar receber melhor, aumentar a permanência, fortalecer redes locais, distribuir oportunidades e preservar as características que fazem alguém querer conhecer Santo Antônio do Leite em primeiro lugar. É nesse ponto que cultura, economia criativa e turismo se encontram. Uma Festa que acontece em diferentes tempos A própria edição de 2026 foi construída para não se resumir a um único fim de semana. Em 22 de setembro, o Luau de Abertura reuniu moradores e visitantes na Praça do Cruzeiro para celebrar a chegada da Primavera com yoga e música.

 

Festa da Primavera - Santo Antônio do Leite - Ouro Preto

 

Nos dias 10 e 11 de outubro, a programação ganha escala no Coreto da Chapada e seu entorno, com dois dias de atividades culturais gratuitas. E, nos dias 30 e 31 de outubro, novas ações encerram o ciclo, incluindo atividades colaborativas com as Suraras do Tapajós. Ao ocupar o território em diferentes momentos, a Festa também propõe outra relação com quem chega: menos pressa para consumir uma programação e mais disponibilidade para descobrir um lugar. Porque o desenvolvimento turístico que Santo Antônio do Leite busca fortalecer não se resume a trazer mais visitantes. Importa como eles chegam, quanto permanecem, quem encontram, onde consomem e, principalmente, o que essa circulação pode deixar para quem vive ali.

Álbum de fotos